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Porque aderimos à Greve Geral: o futuro do trabalho não pode ser construído com trabalhadores mais frágeis

Porque aderimos à Greve Geral: o futuro do trabalho não pode ser construído com trabalhadores mais frágeis

No próximo dia 3 de Junho, a ASSIFECO associa-se à Greve Geral porque acredita que o futuro do país não pode continuar a ser construído sobre salários baixos, precariedade, instabilidade e desvalorização de quem trabalha.

Esta não é apenas uma luta contra um pacote laboral.

É uma luta pela visão de país que queremos para o futuro.

Nos últimos anos, Portugal habituou-se a discutir produtividade quase sempre da mesma forma: mais flexibilidade, menos “rigidez”, maior adaptação das empresas e mais pressão sobre o trabalho.

Mas a realidade demonstra algo evidente.

Apesar de décadas de:

  • baixos salários;
  • precariedade;
  • sucessivas alterações à legislação laboral;
  • e crescente instabilidade no emprego;

Portugal continua longe dos níveis de produtividade das economias mais desenvolvidas da Europa.

E isso acontece porque o verdadeiro problema da economia portuguesa nunca foram os direitos dos trabalhadores.

O problema está na falta de visão estrutural para o país.

Um pacote laboral que falha no essencial

A proposta de alteração ao Código do Trabalho apresentada pelo Governo é apresentada como uma resposta aos desafios económicos e à produtividade.

Mas falha no essencial:
não resolve os verdadeiros bloqueios ao desenvolvimento económico e social de Portugal.

Preocupam-nos medidas que podem conduzir a:

  • maior facilidade de despedimento;
  • aumento da precariedade;
  • desregulação dos horários;
  • enfraquecimento da contratação coletiva;
  • limitação prática de direitos parentais;
  • e maior desequilíbrio entre trabalhadores e entidades patronais.

Ao mesmo tempo, continuam por resolver problemas estruturais que travam diariamente o crescimento do país:

  • excesso de burocracia;
  • baixa qualificação média;
  • fraca inovação;
  • reduzida valorização salarial;
  • sistemas administrativos lentos;
  • e uma carga fiscal excessivamente complexa.

Nenhuma economia se torna moderna apenas tornando o trabalho mais inseguro.

A produtividade não nasce da precariedade

Existe uma ideia repetida demasiadas vezes no debate público:
a de que a produtividade depende sobretudo da flexibilização laboral.

Mas os exemplos europeus mostram exatamente o contrário.

Os países mais produtivos da Europa — como a Dinamarca — construíram economias fortes através de:

  • qualificação contínua;
  • inovação;
  • salários valorizados;
  • proteção social robusta;
  • forte negociação coletiva;
  • simplificação administrativa;
  • e diálogo social permanente.

A produtividade dinamarquesa não resulta de trabalhadores com menos direitos.

Resulta de um país mais eficiente, mais organizado e mais preparado para criar valor.

É esse o debate que Portugal precisa de fazer.

O futuro do trabalho exige outro rumo

A ASSIFECO acredita que o futuro das relações laborais não pode assentar:

  • no medo;
  • na fragilidade;
  • ou na precariedade permanente.

O futuro do trabalho exige equilíbrio.

Exige empresas competitivas, mas também trabalhadores valorizados.
Exige inovação, mas também estabilidade.
Exige modernização económica, mas sem destruir direitos fundamentais.

Por isso defendemos:

  • investimento sério em qualificação e formação contínua;
  • desburocratização real da economia e do Estado;
  • reforma fiscal inteligente e simplificada;
  • valorização salarial associada à produtividade;
  • proteção social robusta;
  • e reforço do diálogo social e da contratação coletiva.

Porque trabalhadores valorizados:

  • produzem mais;
  • inovam mais;
  • permanecem mais tempo nas organizações;
  • e ajudam a construir economias mais fortes e sustentáveis.

Um sindicalismo preparado para o futuro

A ASSIFECO acredita num sindicalismo moderno, independente e preparado para os desafios da nova economia.

Um sindicalismo que:

  • defende direitos;
  • mas também apresenta soluções;
  • protege trabalhadores;
  • mas também discute produtividade;
  • combate abusos;
  • mas ajuda a pensar o futuro do país.

A luta de 3 de Junho é também isso:
uma afirmação de que Portugal pode crescer sem sacrificar dignidade laboral.

Porque o progresso económico verdadeiro não se faz contra quem trabalha.

Faz-se com trabalhadores valorizados, empresas inovadoras e um país capaz de criar oportunidades com justiça, equilíbrio e visão de futuro.

No dia 3 de Junho, a nossa voz será também uma mensagem clara:
Portugal precisa de um futuro laboral mais moderno, mais humano e mais inteligente.

E esse futuro constrói-se com respeito por quem trabalha.

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