Estes sindicatos saúdam todos os trabalhadores da CP que, nos dias 7 e 8 de maio, estiveram em luta, exortando-os a reforçarem a unidade na defesa das justas reivindicações dos ferroviários!
A adesão a esta greve é a prova inequívoca do enorme descontentamento generalizado e da sua identificação com a justeza das nossas reivindicações. A luta não termina aqui. Haja o governo que houver, com o ministro que for, continuaremos firmes!
Durante a greve, assistimos a uma sucessão de mentiras e omissões por parte do Governo e da CP. Em resposta, fomos desmentindo publicamente a desinformação plantada em várias plataformas. Reafirmamos:
Estes 13 sindicatos, são constituídos por pessoas de diferentes setores, sensibilidades políticas e ideológicas e têm, como objetivo a defesa dos trabalhadores e a melhoria das suas condições de vida e trabalho.
Solicitámos várias vezes um diálogo construtivo. Foi o ministro que, com arrogância e inflexibilidade, recusou negociar, tal como impôs unilateralmente os aumentos salariais. Governo e administração nunca mostraram vontade em resolver o conflito, indo ao ponto de dizerem que depois podíamos fazer mais greves!
O que nos foi efetivamente apresentado foi a autorização de verba de 2,35 milhões para cumprir uma parte do relatório da reestruturação das carreiras, conforme o acordado em 24 de Abril. Os 5,75 milhões incluem os 3,4 milhões já aplicados nos aumentos salariais.
Omissões graves:
Não aceitamos mentiras!
É falso que um Governo em gestão não possa implementar medidas previstas no relatório. Se pode fazer alterações salariais e aprovar 2,35 milhões de euros, também pode implementar outros valores. Não há impedimento legal — pois o processo teve início em outubro de 2024 - há falta de vontade política.
É verdade que o Sr. Ministro não quis resolver o conflito para o tornar tema de campanha eleitoral à custa dos trabalhadores da CP.
A reestruturação das tabelas salariais é essencial para dar um primeiro passo na valorização dos trabalhadores da CP e para aproximar os seus salários dos praticados nas restantes empresas públicas.
Não vamos abdicar do trabalho efetuado pelo grupo de trabalho, concluído com inédito consenso entre todas as estruturas sindicais e empresa, do qual foi realizado relatório. A luta continua!
TODA A VERDADE – CRONOLOGIA
É publicado o despacho que define os aumentos salariais no Setor Empresarial do Estado, incluindo a CP.
Só nesta data os sindicatos são convocados para dar início ao processo negocial, obrigatório segundo o despacho. Enquanto isso, na maioria das outras empresas públicas o processo já se encontrava em fase avançada ou concluído.
Questionada sobre o atraso, a CP alegou dúvidas na interpretação do despacho e solicitou esclarecimentos à tutela — apesar de o despacho ser praticamente idêntico aos dos anos de 2023 e 2024. Esta atitude resultou num atraso injustificável de todo o processo.
A CP apresenta duas propostas fechadas, sem margem para negociação. Os sindicatos recusam ambas, exigindo um processo negocial real.
A CP impõe unilateralmente a proposta que lhe era mais conveniente: aumentos salariais de 34 euros, com o mínimo de 1,7% para salários superiores a 2.631,62 € euros.
Comparação com outros setores
Também neste dia apresentaram uma proposta para se rever o relatório da reestruturação das grelhas salariais, reduzindo a um terço do valor inicial.
A imposição do “aumento” salarial e a tentativa de destruição do trabalho concluído sobre as grelhas salariais, provoca a revolta dos trabalhadores, pelo que os sindicatos apresentam avisos prévios de greve, expressando o profundo descontentamento.
Os avisos prévios de greve são formalmente entregues, já após a queda do Governo a 28 de março, devido ao atraso da CP em iniciar o processo.
Em nova tentativa de entendimento, os sindicatos aceitam negociar com base na implementação faseada de parte do relatório conjunto CP–Sindicatos, que visa melhorar a capacidade da empresa para contratar e reter trabalhadores.
Após análise da proposta escrita de acordo enviada pela CP, os sindicatos dão a sua aprovação.
Num esforço de boa-fé, os sindicatos aceitam algumas alterações das medidas do relatório para garantir entendimento.
A CP informa que o acordo não foi autorizado pelo governo, por se encontrar em gestão! Resta saber se a CP negociou sem autorização ou se o Governo voltou atrás.
Se o governo sabia e suportou todas as propostas da administração que levou ao acordo de 24 de abril e se dois dias depois não havia aval, temos de questionar: O ministro estava de má-fé? Ou não sabia que pelo facto de estar em gestão não podia suportar as propostas da administração?
A VERDADE DOS FACTOS: